A geladeira fica ligada 24 horas por dia, todos os dias do ano. Isso já a coloca entre os eletrodomésticos que mais consomem energia elétrica em qualquer residência. O que pouca gente sabe é que a posição do aparelho e alguns hábitos simples do dia a dia podem fazer esse consumo dobrar, sem que o morador perceba o motivo pelo qual a conta de luz não para de subir.
No início de 2026, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia emitiu um alerta direto ao consumidor: erros comuns na instalação e no uso diário da geladeira não só desperdiçam energia como também reduzem a vida útil do aparelho. Como a geladeira funciona 24 horas por dia e sofre com o constante abre e fecha da porta, seu consumo pode aumentar significativamente. O Inmetro orienta que boas práticas de instalação, uso e manutenção ajudam a reduzir o consumo de energia, evitar desperdícios e prolongar a vida útil do equipamento.
Geladeira: Por que ela pode ser a vilã da conta de luz?
O problema mais frequente nas casas brasileiras é também o menos comentado: a distância entre a geladeira e a parede. A maioria das pessoas encosta o aparelho diretamente na parede ou o instala dentro de um nicho de armário sem deixar nenhuma folga. Esse hábito, que parece inofensivo, obriga o motor a trabalhar muito mais do que deveria.
O erro mais comum é instalar a geladeira colada à parede ou em nichos de armários muito estreitos. Sem espaço para respirar, o motor trabalha muito mais para manter a temperatura interna, o que pode dobrar o gasto na conta de luz.
Em muitos manuais de fabricantes, a distância mínima sugerida é de cerca de 15 centímetros em relação às paredes traseira e laterais, justamente para garantir ventilação suficiente para o compressor e o condensador. Ao planejar a cozinha ou a área de serviço, vale priorizar um espaço que respeite essas folgas. Quando esse espaço não é respeitado, o calor gerado pelo funcionamento permanece preso atrás do aparelho, fazendo com que o motor trabalhe por mais tempo para atingir a temperatura escolhida.
Outro ponto que agrava o problema é a localização dentro da cozinha. Instalar a geladeira próxima a fogões, fornos, janelas muito ensolaradas ou em áreas sem circulação de ar também contribui para o aumento do consumo. O aparelho acaba competindo com o calor externo o tempo todo, e quem paga essa conta é o consumidor no final do mês.
Existe um componente na parte traseira da geladeira que a maioria das pessoas nunca limpou na vida: a serpentina, também chamada de condensador. Ela é responsável por liberar o calor que o aparelho retira de dentro. Quando fica encoberta por poeira e gordura acumuladas, perde essa capacidade e obriga o motor a compensar.
O acúmulo de poeira e gordura atrás da geladeira dificulta a dissipação do calor e eleva o consumo. A limpeza pode ser feita desligando o aparelho, afastando-o da parede e limpando a serpentina com um pano seco. O procedimento é simples, gratuito e pode ser feito em menos de 15 minutos. A recomendação é repetir a limpeza a cada três ou quatro meses.
Existe uma prática muito comum em casas e apartamentos de todo o Brasil que o Inmetro classifica como totalmente inadequada: secar roupas atrás da geladeira. A lógica parece fazer sentido, afinal o espaço fica quente e parece um desperdício não aproveitar. Mas o resultado é o oposto do econômico.
Secar roupas atrás da geladeira é considerado totalmente inadequado pelo Inmetro, porque bloqueia a saída de calor, reduz a ventilação e prejudica o funcionamento do equipamento. Com a saída de calor bloqueada, o compressor entra em colapso de ventilação e trabalha continuamente sem atingir a eficiência esperada. O resultado aparece tanto na conta de luz quanto na vida útil do aparelho, que envelhece muito mais rápido.
Conta de luz: Hábitos do dia a dia que fazem a diferença
Além da instalação e da manutenção, o comportamento diário dos moradores dentro da cozinha tem impacto direto no consumo da geladeira. Abrir a porta da geladeira com frequência ou mantê-la aberta por muito tempo permite a entrada de ar quente, exigindo maior esforço do sistema de refrigeração. O ideal é organizar os produtos, abrir a porta apenas quando necessário e evitar guardar alimentos ainda quentes no interior do aparelho. Também é importante verificar regularmente a borracha de vedação, pois desgastes e frestas comprometem a eficiência e elevam o gasto de energia.
Quando o aparelho acumula muito gelo nas paredes do freezer, a troca de calor fica prejudicada e o compressor precisa trabalhar mais. Em geladeiras sem degelo automático, convém fazer o degelo com a frequência recomendada pelo fabricante para manter a eficiência do sistema.
Para quem está pensando em trocar o aparelho, o Inmetro reforça um critério que a maioria dos compradores ignora na loja. Ao comprar uma geladeira, o cidadão deve verificar na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) o consumo mensal e dar preferência aos modelos mais eficientes, uma vez que a eficiência energética faz diferença na conta de energia.
Os modelos antigos apresentam tecnologia menos eficiente e isolamento térmico mais precário, tendendo a consumir mais, principalmente se a manutenção estiver em atraso. Quando uma geladeira antiga apresenta consumo muito elevado e problemas recorrentes, vale comparar o custo de manutenção com o investimento em um modelo moderno com boa classificação no Inmetro.
No fim das contas, a maioria das medidas não custa nada. Mover a geladeira 15 centímetros para frente, limpar a serpentina de vez em quando, parar de secar roupa atrás do aparelho e prestar atenção na borracha da porta são atitudes que não exigem nenhum gasto e podem representar uma economia real na conta de luz todos os meses.
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